SÓ SE FECHAR OS OLHOS | PARA ALÉM DO GESTO

Duas rainhas - opostas mas complementares - descobrem movimentos possíveis para além da norma. Se o espectador fechar os olhos e abrir os ouvidos, ele as vê. E elas dançam.

Da eterna questão da complexidade e beleza da tradução intersemiótica nasce este projeto. Uma obra que partiu da experiência em audiodescrição de espetáculos de dança para saltar para o campo da criação, brincando com o real e o imaginário, o possível e o impossível. 

 

No contexto dos recursos de acessibilidade, a audiodescrição consiste normalmente em traduzir em palavras as imagens que as pessoas privadas de visão não conseguem fruir. O espetáculo 'Só se fechar os olhos' propõe explorar o outro lado dessa premissa, ao encomendar a um dramaturgo cego a coreografia de um espetáculo de dança. Assim, são os videntes que agora são convidados a confiar no audiodescritor cego, que os guiará por um universo de coisas sensíveis mas não necessariamente visíveis àqueles que enxergam. Os movimentos e imagens que compõem essa dança demandam pouco dos olhos, e as imagens coreográficas acontecem muito mais dentro da mente daqueles que aceitam o convite dessa audiodescrição às avessas.

No 'Para além do gesto', a versão em Libras de um espetáculo que foi originalmente pensado para ser escutado, o Coletivo Desvio Padrão manteve a proposta de inverter a premissa - são as atrizes surdas, na parceria com as intérpretes, que trazem para a cena a sua leitura e interpretação do texto de Edgar Jacques. O resultado é um belo espetáculo onde os corpos de Nayara e Catharine contam uma história, e que  entregam para os espectadores - não só para os surdos, mas também para os ouvintes - a beleza do processo tradutório e das escolhas que duas atrizes surdas fizeram para levar para a cena e para o visual algo que era originalmente texto e som.

A construção de 'Só se fechar os olhos’ e ‘Para além do gesto’ são fruto da experiência proposta pelo Coletivo Padrão - de criação artística coletiva a partir do convívio na diversidade. As nossas criações são então feitas por e para um público plural, levando a acessibilidade a um patamar de proposta estética, representativa e multissensorial. São portanto nosso público nesses espetáculos: crianças, jovens, adultos, idosos. Pessoas analfabetas, cegas, com baixa visão, com deficiência intelectual, autismo ou dislexia (usuários de sistemas orais e aurais). Pessoas surdas ou ensurdecidas, usuárias de língua de sinais. Pessoas interessadas em dança, teatro, arte sonora, arte da palavra.

 

FICHA TÉCNICA

Só se fechar os olhos é uma criação conjunta de Edgar Jacques, Enrique Menezes, Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta

Concepção e performance: Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta

Performance de Libras: Catharine Moreira e Nayara Silva

Texto, coreografia e direção de narração: Edgar Jacques

Composição e viola caipira: Enrique Menezes

Violoncelo: Rafael Ramalhoso

Sonorização: Maria Fernanda Carmo e Enrique Menezes

Figurino: Mariana Farcetta

Maquiagem: Felipe Ramirez

Operação de luz: Fe_menino